domingo, 25 de junho de 2017

Birra de putos mimados

Não é costume falar-se neste blogue de outras modalidades que não o futebol, mas, neste caso, é pertinente que o façamos face à gravidade da situação que se vive no hóquei em patins. 

Está previsto para este fim de semana a final-four da Taça de Portugal em hóquei em patins, com os jogos Porto-Benfica e Sporting de Tomar-AE Física agendados para hoje. Acontece porém que os encarnados não compareceram ao jogo, em protesto pela alegada "necessidade e urgência de se tomar uma posição clara que demonstre o estado de degradação que atingiu este ano a cúpula da modalidade". Na verdade, o que está em causa é o golo anulado ao Benfica na última jornada do campeonato, frente ao Sporting, que ditaria a perda do título nacional para o FC Porto. Um golo cuja legalidade as imagens não esclarecem, mas que, segundo a visão do árbitro, terá sido marcado com o corpo (e não com o stick, como as regras impõem) e, como tal, foi bem anulado.

Antes de mais, há que salientar a profunda hipocrisia patente nesta postura do Benfica, já que o mesmo foi muito crítico numa situação semelhante protagonizada por outro clube. Em Novembro de 2011, o Benfica conquistou, pela primeira vez na sua história, a 31.ª edição da Taça Continental de hóquei em patins, ao beneficiar da falta de comparência dos espanhóis do Liceo da Corunha. Os espanhóis haviam apresentado um protesto junto do Comité Europeu de Hóquei no Ringue (CERH) contestando vários aspectos da prova e exigindo o adiamento da final, mas, pelo facto de não terem visto atendidas as suas pretensões, faltaram ao jogo. João Coutinho, vice-presidente  do Benfica, afirmou então o seguinte: “O Liceo da Corunha faltou ao respeito ao Benfica e à modalidade ao não comparecer neste jogo. Foi marcado um local, uma data e uma hora para disputar esta taça. Nós estivemos cá”.

Além de hipócrita, esta posição do Benfica encerra em si uma desonestidade atroz, uma vez que o clube lisboeta foi escandalosamente beneficiado pelas arbitragens em vários jogos deste campeonato de hóquei, incluindo o confronto com o Sporting e a Oliveirense na jornada imediatamente anterior, sem que daí tenha resultado qualquer comentário dos seus responsáveis, treinador ou jogadores. Recorde-se, a propósito, que logo após o jogo Benfica-Oliveirense, o treinador da equipa visitante, Tó Neves, deu largas à indignação e revolta que sentia com a arbitragem, afirmando que o rinque da Luz estava inclinado em favor dos encarnados. Perante tal realidade, como pode o Benfica vir agora armar tão grave campanha contra os árbitros, acusando-os mesmo, pela voz do seu treinador, de influenciarem premeditadamente a entrega do título nacional, quando nem sequer conseguem apresentar provas concretas de que o golo anulado ao Benfica foi limpo? Pretenderia o Benfica vencer o campeonato beneficiando de um golo ilegal com o beneplácito do árbitro, ou estará agora a servir-se deste caso para retirar futuros dividendos desportivos deste clima de vitimização? Estamos aqui perante um evidente litígio de má fé, um acto prepotente de força e coação sobre a arbitragem e o dirigismo do hóquei nacional, que deveria resultar numa punição muito mais severa do que a mísera multa a que o Benfica estará sujeito.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Memórias de Guerra


Recordam-se do filme Chicago, um musical premiado com seis Óscares da Academia de Hollywood, em que Richard Gere interpreta o papel de um advogado de sucesso, contratado para defender duas mulheres (Catherine Zeta-Jones e Renée Zellweger) condenadas à pena de morte por homicídio? Numa cena final, Richard Gere confunde o juiz e os jurados com uma série de alegações em que diz e desdiz, afirma e nega, avança e recua, com as imagens do tribunal a alternarem-se com um número de sapateado em palco, como se a actuação do advogado não passasse também de uma encenação, um espectáculo. Ora, aquilo a que se assistiu ontem no programa Prolongamento da TVI24 foi também um número de sapateado, com o artista Pedro Guerra a deambular em sucessivos rodopios, ora reconhecendo a possibilidade de ter escrito os emails comprometedores denunciados por Francisco J. Marques, ora afirmando que é tudo um embuste "de um canalha". 

Confrontado com a pergunta "Foi você que escreveu aqueles emails", o que toda a gente (e em especial os benfiquistas) esperava ouvir da boca do Pedro Guerra seria "Não, não fui eu, porque sou uma pessoa íntegra, honesta, de bom carácter, e jamais escreveria tal coisa"! Em vez disso, ouviu-se aquela pérola do "Admito que possa ter escrito, mas não me lembro", que é a mais antiga estratégia de advocacia usada na defesa de todos aqueles que têm culpas claras no cartório. Basta lembrar que o jogador do Canelas, Marco Gonçalves, em declarações à televisão logo após o jogo em que agrediu o árbitro, também alegou que não se lembrava do momento da agressão. Não há dúvida de que a mente humana é um universo complexo, repleto de insondáveis mistérios, e estas perdas de memória selectivas e convenientes são algo que a ciência ainda tem dificuldade em explicar. Felizmente, há muito que os tribunais deixaram de ser palco para este estilo trauliteiro de advocacia e estão a marimbar-se para as flutuações memoriais dos réus. Que o diga Marco Gonçalves, que levou quatro anos de suspensão. Haja a vontade política de investigar a fundo o conteúdo destes emails e a deplorável postura de Pedro Guerra será apenas um lamentável pormenor deste caso.

Pedro Guerra pode vir alegar agora que não se lembra do que foi escrito nos emails que trocou com Adão Mendes em 2013, mas a verdade é que, na altura, teve conhecimento de que algo muito grave se passava na arbitragem e não teve a decência de denunciar o caso às autoridades. Como tal, mesmo admitindo que nada tinha a ver com o processo, Pedro Guerra tornou-se cúmplice moral do mesmo com o seu silêncio. Isso e a tentativa evidente de branquear a gravidade do caso e de fugir ao seu esclarecimento, diz bem do carácter do director da BenficaTV. Apesar disso, não podemos aceitar que a comunicação social centre a discussão deste caso em Pedro Guerra, tanto mais que o discurso de Adão Mendes nos emails deixa bem claro que o grande responsável pelo tal sistema de corrupção é o "Primeiro Ministro", o qual só pode ser Filipe Vieira.

Não conheço pessoalmente Francisco J. Marques e confesso que, antes dele ser Director do FC Porto, nem sabia da sua existência, mas, por aquilo que já vi, parece-me ser uma pessoa inteligente e esperta, que sabe movimentar-se bem nesta pocilga que é o mundo do futebol. Não me parece que seja pessoa de se expor a um processo-crime por difamação e calúnia apenas por interesses clubísticos. O passado recente demonstra que tudo aquilo que Francisco Marques apresenta publicamente tem fundamento factual. As cartilhas são disso exemplo evidente. Esperemos portanto para ver o que acontecerá amanhã, no programa Universo Porto - da bancada, prometida que está a apresentação de mais dados polémicos sobre este caso.

sábado, 10 de junho de 2017

Pedro Guerra, o bode expiatório

A CMTV divulgou hoje, até à náusea, imagens de adeptos encarnados insultando Pedro Guerra à porta do pavilhão da Luz, exigindo a sua saída do clube. Mas, por muito gozo que nos possa dar ver esse dejecto humano receber tal tratamento dos seus próprios correligionários, não podemos deixar-nos enganar por essas manifestações cínicas dos adeptos do clubezeco dos vouchers. 
Em primeiro lugar, aqueles que agora insultam e assobiam o Pedro Guerra são os mesmos que, há poucas semanas atrás, festejaram no Marquês a conquista de uma Liga e de uma Taça de Portugal oferecidas pelos árbitros cujos nomes constam na lista de "padres escolhidos e ordenados para presidir às missas do Benfica". Ora, se os adeptos encarnados foram cúmplices desta fraude mesmo quando, jornada após jornada, se ia percebendo que algo de muito podre se passava nos bastidores do futebol português, não venham agora fazer-se passar por gente honesta e moralista, apanhada de surpresa pela denúncia do FC Porto! Fazem lembrar os alemães no final da 2ª Guerra Mundial, fazendo-se de ingénuos e alegando que nada sabiam sobre o holocausto judeu, quando até o cheiro a carne putrefacta e as cinzas dos cadáveres lhes entravam pelas janelas dentro! 
Em segundo lugar, o Pedro Guerra é apenas um peão neste esquema de favorecimento ao Benfica, porque, como o próprio Adão Mendes afirma no email denunciado por Francisco J. Marques, o cabecilha de tudo isto é o "Primeiro Ministro" e esse só pode ser o Vieira. Que o Pedro Guerra tinha conhecimento de tudo e estava envolvido no conluio é evidente,  mas não podemos permitir que façam dele o bode expiatório deste crime para safar o presidente e o clube do regime!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Corrupção provada!

Poucos dias depois da FPF apresentar uma proposta para alteração dos regulamentos no sentido de estabelecer em 200 euros o limite máximo admitido para os presentes aos árbitros das competições não profissionais, eis que a Liga segue o exemplo e define o mesmo limite em 150 euros para todas as competições por si organizadas. Esta medida foi aprovada em Assembleia Geral da LPFP, com os votos favoráveis de 27 clubes e 15 contra. Como se esperava (e não é difícil perceber os motivos), o Benfica foi um dos clubes que votou contra este novo regulamento. 

Depreende-se assim que a maioria dos clubes da 1ª Liga considera que o Benfica andou, durante vários anos, a cometer um crime de corrupção activa ao oferecer aos árbitros e delegados de jogo kits cujo valor ultrapassava largamente os 150 euros agora estabelecidos como valor máximo admissível. 

Tal como referi anteriormente, talvez a justiça desportiva seja impotente para penalizar este comportamento ilícito do clubezeco dos vouchers, tanto mais que os regulamentos desportivos eram até aqui omissos nesta matéria, mas recorde-se que a investigação da Polícia Judiciária, que ainda há bem pouco tempo procedeu a buscas no Estádio da Luz, ainda está em aberto. Queira o Ministério Público ter a decência de fazer transitar o processo para os tribunais e veremos o que poderá acontecer.

Enquanto o valor de referência foram os 300 euros admitidos pela UEFA, os vassalos do regime andaram preocupadíssimos em contar os cêntimos, garantindo que o valor dos kits do Benfica não ultrapassava o 250 euros, na pior das hipóteses. Agora que o limite legal foi estabelecido em 150 euros, já há quem venha dizer que os mesmos kits não valem mais de 100 euros. Se amanhã o limite legal for reduzido para zero euros, muito provavelmente o valor do kit descerá para valores negativos. Querem apostar? São as contas à moda do Polvo!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A assumpção do crime de corrupção

A FPF apresentou hoje um novo Regulamento Disciplinar para as competições por si organizadas. Entre as alterações ao regime actual agora propostas, destaca-se a definição do limite máximo das ofertas permitidas aos árbitros das competições não profissionais em 200 euros, valor acima do qual será considerado corrupção. 

Recorde-se que o kit que o Benfica oferecia aos árbitros da 1ª Liga até há bem pouco tempo, no conjunto dos vouchers de refeição, camisola do Eusébio e entradas para o museu, não excedia os 300 euros admitidos pela UEFA (argumento amplamente utilizado em defesa do clube lisboeta), mas ultrapassava largamente os 200 euros, o que é agora assumido como corrupção nas competições não profissionais. Logo, é legítimo afirmar que o clubezeco dos vouchers andou efectivamente a praticar um acto condenável durante vários anos, ainda que, por omissão dos regulamentos, tal não seja juridicamente punível. Pois, se os 200 euros para uns é corrupção, por que motivo não o é para todos? Quem define os limites de corruptibilidade, que para uns são os 200 e para outros são os 300 euros? Tal como existem árbitros de 1º e 2º escalão, também existem corruptos de diferentes escalões? Se o objectivo é tornar o futebol mais sério e transparente, porquê diferentes critérios? E sendo o futebol profissional mais exigente, não deveria ter critérios mais apertados?